sexta-feira, 11 de abril de 2008

Tô sambista. Com muito orgulho.


De uns tempos para cá o som dos tantãs, cuícas, banjos e cavaquinhos têm me chamado mais atenção do que o de costume.

Sempre associei a música desses instrumentos a algo "bem brasileiro" (eu adoro me sentir "bem brasileiro" - pelo menos musicalmente). Mas minha afinidade com o samba, em especial o samba carioca, sempre foi menor.

Era algo parecido com aquelas mulheres exuberantes, que você admira de longe, mas tem medo de se aproximar porque pensa que é "areia demais para o seu caminhão".

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Para complicar, sou de uma geração em que samba era sinônimo de pagode. Pior, de pagode ruim.

Não consigo “tirar da cabeça” as apresentações dominicais, em programas de auditório, de grupos como Molejo, Travessos, Soweto e CIA, com suas roupas americanizadas, seus cabelos tingidos e suas coreografias de “para frente, e para trás".

Alguma coisa ali estava fora de lugar!

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Mas a história está mudando. Parece que, pouco a pouco, as peças estão voltando a se encaixar.

A MPB vive um momento (re)valorização do samba; do samba bom. Muitos artistas que sobrevivem deste gênero tem reaparecido na mídia - Alcione e Beth Carvalho são alguns exemplos - e outros, autores de uma sonoridade mais "pop", como Maria Rita, Marisa Monte e Roberta Sá, estão "se entendendo" com a harmonia da música dos "palitos de fósforo".

Correndo por fora, alguns dos bons compositores sambistas estão tendo mais espaço para mostrar seu trabalho. É o caso de Arlindo Cruz – por quem estou musicalmente apaixonado, e cujo novo disco (Sambista Perfeito) foi o motivo deste texto -, Luis Carlos, Sombrinha, Jorge Aragão e outro bocado de gente boa.

E ainda tem as misturas de Seu Jorge, Marcelo D2, bandas de rock independente etc.

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E assim, o samba volta “pro seu cantinho”. Aquele lugar onde nasce a alegria; a vontade de compartilhar; de partilhar; de se divertir; de ser feliz coletivamente; de estar vivo; de experimentar “a alegria, ainda que impregnada de tristeza” como diz Daniela Mercury.

O Samba pressupõe “turma” e isso é o que mais me encanta nele.

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“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Ou é ruim da cabeça, ou doente do pé”
SAMBA DA MINHA TERRA - João Gilberto

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Dedicatórias
Este texto é especial para Leonardo e amigos que nos últimos tempos tem entupido meus ouvidos de todos os tipos, formas, gêneros, cores, e tamanhos de samba. Um som na maioria das vezes questionável, mas impregnado com a boa vontade típica do espírito do samba.

5 comentários:

João Victor Torres disse...

Texto digno,embora n ache roberta POP.Você escreve lindamente, parabéns Vitor!

Denise Barcelos disse...

Acho q vc colocou bem: o brasileiro q n gostar d samba deve tr algum problema!

Como n valorizar nossas raizes?! E vamos combinar q nda como uma boa roda de samba d qualidade com uma boa turma n tm igual!

Brigadinha pelo recadinho!!!!

Bjaaao

Khrystal disse...

lindo o texto
parabéns

"o samba vai vencer
quando povo perceber
que é o dono da jogada"
(caetano veloso)

beijo

Anônimo disse...

Amei o texto, muito rico em cultura, você entende mesmo do assunto heim rapaz! Ao ler o artigo fiquei imaginado você escrevendo linda, rica e culturalmente para famosos jornais no Rio e São Paulo. Você vai longe moço!!! Parabéns e haja conhecimento. É Deus que te dá. Beijos.

Anônimo disse...

Amei o texto, muito rico em cultura, você entende mesmo do assunto heim rapaz! Ao ler o artigo fiquei imaginado você escrevendo linda, rica e culturalmente para famosos jornais no Rio e São Paulo. Você vai longe moço!!! Parabéns e haja conhecimento. É Deus que te dá. Beijos.