domingo, 27 de abril de 2008

Esportes - derrota nem sempre é sinônimo de perda


Acho o esporte fundamental para o desenvolvimento humano. Além de fazer bem à saúde, ele é, muitas vezes, o palco inicial para enfrentamento de situações presentes em toda nossa vida.
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Para quem se dedica, é inevitável que em determinado momento esporte vire jogo.

Nessa hora é preciso lidar com questões como competitividade, cobrança, rendimento responsabilidade, derrotas, etc, etc, etc

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Em parte isso é bom. Ajuda na formação do caráter, personalidade, maturidade. No fundo é um teste para o que vai acontecer mais na frente.

Em parte isso é ruim. Porque as tramas do "jogo" são sedutoras demais; principalmente, quando estão a serviço incondicional da vitória/sucesso. Tem muita gente que "perde a cabeça" no processo. Vencer se torna a única coisa importante.

Não é!!

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Derrota também pode ser sinônimo de aprendizado/prazer e, às vezes, até sucesso.

Com ela a gente percebe que não é onipotente, onisciente, infalível, sempre constante, sempre confiante. Percebe também, e principalmente, que é de "carne e osso".

Essa percepção é a melhor coisa do esporte - devia também ser seu objetivo principal.

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Com ela somos capazes de rir mais, ser mais felizes, mais leves, compartilhar mais, pedir mais ajuda - sem culpa, nem medo - dividir inseguranças, partilhar habilidades e outras tantas coisas boas.

Isso também é ser vitorioso. Vitorioso na vida!

Mas esse é um tipo de vitória que só se conquista quando o "jogo" é secundário.

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Eu, particulamente, sou turma do "no games, just sports".

quinta-feira, 24 de abril de 2008

“Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge”

Na última quarta-feira, 23 de abril, foi comemorado o dia do meu Santo: São Jorge.

A possibilidade de escolher um Santo é uma das poucas práticas democráticas da Igreja Católica.

Não sou católico, sequer batizado – há quem diga que, por causa disso, eu tenho bilhete garantido e expresso para o inferno; eu prefiro crer que os critérios da “salvação” são outros -, mas a imagem de São Jorge sempre me arrebatou.

Nem tanto pela imponência de sua lança, cavalo ou armadura. Simplesmente porque seu olhar me dá segurança. E como se estivesse sob vigia - e vigilia – de um Ser em que é possível confiar; de olhos fechados; peito aberto e com as guardas abaixadas.

Eis a natureza da minha fé!

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As vezes penso em São Jorge sem dragão, sem Lua, sem santidade. Um comum, um ordinário; um Jorge qualquer como eu e como você, mas com o poder de, como roga sua oração, manter afastados os inimigos, de assegurar minha liberdade, sem correntes ou grilhões, sejam eles(as) de que tamanho, material ou natureza forem.

Assim creio no meu santo

E viva São Jorge!!

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Oração a São Jorge
“Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.”






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*A ilustração é de Sara Mello. Quem quiser ver mais ilustrações dessa artista o clique no link: http://saramello.blogspot.com/

sábado, 19 de abril de 2008

Caso Isabella / Comoção Pública

Comoção Pública. Essa a palavra descreve precisamente a reação da sociedade sobre caso Isabella Nordoni - a menina de 6 anos que foi jogada do sexto andar de um prédio provavelmente por seu pai e madrasta. Por onde eu passo sempre escuto alguma uma opinião ou comentário sobre o assunto.

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Uma confissão: a morte de Isabella não me emocionou. Não tanto quanto a maioria das pessoas. Conheço gente que chorou vendo fotos de Isabella com a mãe.

Não consegui. Tudo me pareceu distante demais.

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Não vejo isso como frieza. Pelo contrário. Me estranha a capacidade das pessoas em se comoverem com histórias pouco próximas.

Tudo que tenho em relação ao caso Isabella é uma opinião: acho uma brutalidade; um atentado à vida. Algo tão grave e estúpido como um pai que estupra a filha ou uma mãe que abandona seu recém nascido numa lata de lixo.

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Por outro lado, me mobiliza muito mais a história de um amigo que se sente obrigado a sair de casa quando o pai bebe, uma vizinha que apanha do marido, ou o pai que "comeu o pão que o diabo amassou" para sustentar a família e fazer os gostos dos filhos.

Essa proximidade é a fonte das minhas comoções.

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Se a gente olhar para o lado sempre vão existir vários casos "Isabellas" bem mais próximos.

E o melhor, com um pouco de boa vontade, você pode estender a mão e ajudar de alguma forma.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Coração de Pedra / A Natureza das Decisões

Outro dia, num papo regado a amigos e cerveja, disseram que eu tinha um "coração de pedra".
Discordo. Para ser sincero, acho que a verdade está mais para o outro lado.

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Pensando melhor cheguei à conclusão que aquela conversa não tratava propriamente do coração, mas sim da "natureza das decisões".

O enfrentamento em questão era sentimento x razão.

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Consigo identificar dois tipos de decisão: as motivadas essencialmente pela emoção/sentimento, e as motivadas naturalmente pela razão/lucidez. Nenhuma das duas é pura, mas "suas matérias primas" podem ser facilmente identificadas.

Eu prefiro as segundas; talvez por auto-proteção, embora nem sempre seja possível tomá-las.

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Sou da turma que gosta de clareza; que preza pelos "sins" e pelos "nãos", mesmo que eles não sejam bons de ouvir.

Mas também não desgosto dos "talvez", "não sei", "não tô afim", "não quero pensar nisso agora", "esse não é um bom momento para falar nisso", desde que eles sejam ditos - é nesse dizer que está o problema. Sem eles a gente não é humano.


No entanto decisões ainda precisam ser tomadas. E isso é complicado!
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Como eu resolvo o dilema?
Eu costumo fechar questão, mesmo que depois eu tenha que voltar atrás, arrependido. Tento fazer isso de uma maneira digna, explícita e pouc
o contraditória. Não é fácil e nem sempre eu consigo!

Se eu opto por não tomar minha decisão, eu "seguro a onda". sabendo que assuntos por resolver sempre trazem consequências. O não dito na maioria das vezes pesa e fere mais que o dito. O pior efeito colateral dos silêncios é que eles te tornam emocionalmente pesado. Mas é o preço que se paga.

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Dedicatória
Esse texto vai para Igor e Edurado. É a minha resposta ao nosso debate.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Tô sambista. Com muito orgulho.


De uns tempos para cá o som dos tantãs, cuícas, banjos e cavaquinhos têm me chamado mais atenção do que o de costume.

Sempre associei a música desses instrumentos a algo "bem brasileiro" (eu adoro me sentir "bem brasileiro" - pelo menos musicalmente). Mas minha afinidade com o samba, em especial o samba carioca, sempre foi menor.

Era algo parecido com aquelas mulheres exuberantes, que você admira de longe, mas tem medo de se aproximar porque pensa que é "areia demais para o seu caminhão".

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Para complicar, sou de uma geração em que samba era sinônimo de pagode. Pior, de pagode ruim.

Não consigo “tirar da cabeça” as apresentações dominicais, em programas de auditório, de grupos como Molejo, Travessos, Soweto e CIA, com suas roupas americanizadas, seus cabelos tingidos e suas coreografias de “para frente, e para trás".

Alguma coisa ali estava fora de lugar!

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Mas a história está mudando. Parece que, pouco a pouco, as peças estão voltando a se encaixar.

A MPB vive um momento (re)valorização do samba; do samba bom. Muitos artistas que sobrevivem deste gênero tem reaparecido na mídia - Alcione e Beth Carvalho são alguns exemplos - e outros, autores de uma sonoridade mais "pop", como Maria Rita, Marisa Monte e Roberta Sá, estão "se entendendo" com a harmonia da música dos "palitos de fósforo".

Correndo por fora, alguns dos bons compositores sambistas estão tendo mais espaço para mostrar seu trabalho. É o caso de Arlindo Cruz – por quem estou musicalmente apaixonado, e cujo novo disco (Sambista Perfeito) foi o motivo deste texto -, Luis Carlos, Sombrinha, Jorge Aragão e outro bocado de gente boa.

E ainda tem as misturas de Seu Jorge, Marcelo D2, bandas de rock independente etc.

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E assim, o samba volta “pro seu cantinho”. Aquele lugar onde nasce a alegria; a vontade de compartilhar; de partilhar; de se divertir; de ser feliz coletivamente; de estar vivo; de experimentar “a alegria, ainda que impregnada de tristeza” como diz Daniela Mercury.

O Samba pressupõe “turma” e isso é o que mais me encanta nele.

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“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Ou é ruim da cabeça, ou doente do pé”
SAMBA DA MINHA TERRA - João Gilberto

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Dedicatórias
Este texto é especial para Leonardo e amigos que nos últimos tempos tem entupido meus ouvidos de todos os tipos, formas, gêneros, cores, e tamanhos de samba. Um som na maioria das vezes questionável, mas impregnado com a boa vontade típica do espírito do samba.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Nando (ruivo) Reis

Este sábado (05) foi dia de diversão a máxima potência. Pintou por aqui, em Natal, Nando Reis e sua maravilhosa trupe de infernais. Fantástico!

Nando é daqueles artistas "bons de palco". A energia do seu som é quase tátil.

No início da sua carreira solo, pós-Titãns, não conseguia entender o trabalho do ruivo. Me soava estranho, deslocado. A qualidade da música esbarrava nas suas limitações técnicas como cantor. Eu precisava de uma intérprete como Cássia Eller para gostar das canções de Nando do jeito que elas mereciam ser gostadas.

Mas isso mudou. O som de José Fernando Gomes dos Reis esquentou.

Agora a inteligência e articulação de suas letras vêm acompanhadas de um som vigoroso, forte - sem muitas elaborações harmônicas - e bem brasileiro. O resultado é explosivo. E melhor, acessível.

A música de Nando é plural; é pop(ular).

Ave Nando!!!

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Agradecimentos especiais
Aos Integrantes da Intrépida Trupe
- pela companhia e saco de aturar minha chatice alcoólica; a Zili - pelo impublicável; a Rafael - por quebrar o meu galho e não fazer cara feia; a Fernando - pelo empréstimo da foto acima e outras “cositas” mais (desculpas públicas); a Duda - por não me repreender nem estranhar minhas loucuras; a Leo - pela amizade; a Bebele - pelo carinho e a Eduardo - por me alegrar com seu abuso.

Ps*
Queria ter podido dividir minha alegria com outros parceiros. Mas as condições andam adversas.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Amenidades


Minha intenção era dedicar esse post ao frio. Mas mudei de idéia no meio do caminho. Não achei que uma pessoa cuja menor temperatura que já enfrentou na vida foi 15º poderia falar com propriedade sobre o assunto.

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Eu adoro climas amenos.

As temperaturas “baixas” e umidade, juntas, me dão a sensação de poder chegar mais perto de mim.

Tem gente que associa isso a solidão. Não acho que seja o caso.

Estar consigo mesmo, é, de alguma forma, estar acompanhado; acompanhado de sentimentos, impressões, sensações e comportamentos que não estão presentes quando se está em público.

Só que essa lógica fica complicada de entender nesses dias em que as pessoas desaprenderam a ficar acompanhadas de si mesmas; nesses dias de solidão coletiva.
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Para se escutar em climas amenos