domingo, 30 de março de 2008

Reflexões sobre um jornalismo melhor

Estou em vias de me formar em Comunicação Social/Jornalismo na UFRN, e apesar de acompanhar a mídia do RN com um olhar diferente desde que entrei na universidade, ainda não consegui me acostumar com algumas “manias” do jornalismo local.

Por definição uma notícia só existe quando há um fato novo. Isso é básico. Sem isso a notícia não se justifica.

No entanto os veículos de comunicação do RN têm o (mau)hábito de pautar seu noticiário em especulações. A prática é mais recorrente no jornalismo político.

- “Se fulaninho declarar apoio a cicraninho, a campanha de beltraninho está acabada”.

- “O silêncio de João pode significar que ele não vai apoiar José”

- “Com a entrada de Maria, Joana vai ter que desistir da sua candidatura”

Um exemplo prático:

Hipóteses e opiniões são muito bem vindas no jornalismo, mas tem seu espaço: as colunas e a linha editorial. Fora desses lugares elas estão deslocadas.

Conciliar o fato e a opinião é tarefa ingrata, eu sei, mas é também à base do bom jornalismo.

A gente precisa aprender que se implicar não é tomar partido, nem “fechar questão”, ou “falar sobre o que não é fato”. Com isso na cabeça seremos capazes de realizar um jornalismo melhor.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O (re)encontro com Amélia

Recentemente uma “notícia” me fez entender o sentido exato de uma frase que jornalistas em formação – como eu – escutam a exaustão em tempos de universidade.

“Quando uma história é boa, ela é boa independentemente da época em que tenha acontecido ou período em que tenha sido contada. E se foi contada bem, em mais tempo ou menos tempo, vem à tona novamente”.

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Nos primeiros anos de faculdade, minha turma foi desafiada por um professor (que entendia como poucos o espírito competitivo da juventude) a produzir uma reportagem sobre a Intentona Comunista – uma espécie de revolução ocorrida no início do século passado, que por meio de uma insurreição armada, tomou o poder oficial de Natal e instituiu um governo extraordinário de dois dias na capital potiguar. O melhor texto seria publicado em um dos jornais mais tradicionais do estado.

Em meio às pesquisas sobre o assunto, eu e meu grupo “demos de cara” com Amélia Gomes Reginaldo.

Amélia
Mulher, nordestina, filha de mãe e pai comunistas, Amélia teve participação ativa no levante. Foi uma de suas líderes, chegando a tomar parte do conflito armado.

Mas não saiu vitoriosa dessa aventura. Pelo contrário, pagou caro por sua escolha. Após a deposição do governo provisório, foi presa, perseguida, e teve que fugir do Rio Grande do Norte. Foi embora com pouco mais do que a roupa do corpo e a esperança de um futuro e um país melhor.

Pior; por pouco não foi esquecida. Até hoje Amélia Reginaldo não aparece nos livros de História. Teve que ser resgatada, através das cartas que mandava para família, por outras mulheres como Brasília Carlos e Aluísia, ambas professoras, e esta última, portadora da “notícia” a qual eu me referi no primeiro parágrafo do texto.

Amélia, uma revolucionária de verdade foi nossa história – nossa boa história. Com ela vencemos o concurso e tivemos nossos nomes publicados pela primeira vez em um jornal. Isso já fazem dois anos.

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Mas o sentido desse texto não é falar sobre meu encontro com Amélia, mas sim do reencontro.

Eis que estava no ônibus quando Aluísia me avista. Me conta, com entusiasmo, que, recentemente, havia participado de um evento em comemoração ao Dia das Mulheres promovido pela Prefeitura de Natal na qual uma das homenageadas tinha sido Amélia.

A neta veio receber a condecoração (atrasada) pela importância da avó quase esquecida. Assim como o resto da família ela já conhecia a história, mas contou que ficou sabendo que a mídia do RN também conhecia o passado de sua avó por causa de uma matéria de jornal. Nossa matéria de jornal.

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Ou seja:

“Quando uma história é boa, ela é boa independentemente da época em que tenha acontecido ou período em que tenha sido contada. E se foi contada bem, em mais tempo ou menos tempo, vem à tona novamente”.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Frases de Impacto


Lendo os comentários do meu blog (abro um parênteses para agradecer a todos eles) percebi que algumas pessoas acham que eu sou um "escritor" de frases de impacto.

Não sei.

Mas analisando o contexto, acho que as opiniões tem lógica.

Quando escrevo gosto de deixar claras minhas idéias . Tão sólidas como uma experiência tátil; e frases de impacto ajudam muito.

Mas existe uma armadilha nessa "técnica". Ela induz ao "fechamento de questão". Se não estivermos alertas quando a usamos passamos a ser os "caras" que dizem que algo é bom ou ruim, certo ou errado, brega ou chique, bonito ou feio, etecetera, etecetera, etecetera.

Isso é perigoso!

A maioria desses paramêtros está associado a conceitos subjetivos. Por isso, penso eu, que categorizar as coisas dessa maneira é uma uma questão, a maior parte das vezes, de identificação. Dito de outra maneira, uma questão pessoal.

E para que acha quem eu "sou chegado" em frases de impacto, finalizo esse texto com uma "bomba" de uma pimentinha muito mais íntima desse recurso do que eu.

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"Me tomam por quem? Um imbecil? Sou algo que se molda do jeitinho que se quer? Isso é o que todos queriam, na realidade. Mas não vão conseguir, porque quando descobrirem que estou verde já estarei amarela."
Elis Regina

sexta-feira, 21 de março de 2008

Filme - Três Formas de Amar

Em meio as minhas crises intermináveis de insônia assisti, essa noite, um filme que me chamou atenção.

O nome da película é Três Formas de Amar (o título em inglês é Threesome - 1994), de Andrew Fleming ("Todas as Garotas do Presidente" e "Jovens Bruxas"), com Lara Flyn Boyle ("Sociedade dos Poetas Mortos"), Stephen Balwdin ("Os Flintstones") e Josh Charles ("Sociedade dos Poetas Mortos" e "S.W.A.T.").

Deixando de lado as discussões sobre a sexualidade (o filme conta a história de um triângulo amoroso entre dois amigos - um deles gay - e uma mulher atraída por relações baseadas em rejeição), uma sutileza do roteiro me pegou de sobressalto.

Trata-se da idéia de que alguém pode ser importante em determinado momento da vida, e depois não.

Esse tipo de pensamento me assusta.

Gosto de pensar que minhas relações - principalmente as de amizade - não tem prazo de validade, e sua importância não pode ser medida, apenas, pelas circustâncias.

Meio antiquado nos dias de hoje!

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"Carlos amava Dora, que amava Lia, que amava Léa, / que amava Dora, que amava Rita, que amava Dito, /que amava Rita, que amava Dito, que amava Rita, que amava Carlos amava Dora, / que amava Pedro, que amava tanto, / que amava a filha, que amava Carlos, que amava Dora, que amava toda quadrilha"

Flor da Idade - Chico Buarque

quinta-feira, 20 de março de 2008

Novidade

"a novidade veio da praia / na qualidade rara de sereia / metade o busto de uma Deusa maia / metade um grande rabo de baleia" - A Novidade - Gilberto Gil

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Nem todo mundo sabe lidar com novidades.

Eu, pelo menos, não sei - descobri isso outro dia.

O mais confuso é a inversão de papéis.

No meu caso específico, isso fica expresso na sensação de não ter "know-how" ou "felling" para determinados comportamentos; de se sentir incapaz de conduzir uma história por falta de competência; de ser um amador.

É como estar-se perdido em um ambiente novo, cujo medo do "não saber fazer", do "não ser bom", é maior do que a intriga da descoberta.

Pior ainda quando os instintos não ajudam!

Seja o que Deus quiser!

quarta-feira, 19 de março de 2008

Amar é uma escolha



- O Amor é uma escolha.

Escutei (lí) essa frase em uma das minhas conversas "madrugadinas" no MSN. Ela me soou tão agradável. Sintetizou uma porção de coisas que eu penso sobre o amor.

Não me entendam mal. O amor a qual me refiro é amor no sentido amplo da palavra; aquele que engloba os mais diversos tipos (amor de amigo, amor de irmão, amor de mãe, amor de pai, amor espititual, simplesmente amor....). Amar é, sim, uma escolha.

No mais, me vem a cabeça uma frase batida de uma canção deliciosamente brega da Legião Urbana, mas que no momento me soa imperativa.

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã / porque se você parar prá pensar / na verdade não há" - Pais e Filhos, Renato Russo

terça-feira, 18 de março de 2008

Àgua - Patrimônio da Humanidade

Neste 22 de março é comemorado o Dia Mundial da Àgua. A data nos convida a uma reflexão; dados da ONU mostram que em 2050, dois bilhões de pessoas, o equivalente a população da China, não terão água potável nem para necessidades mais básicas.

Uma alegoria que nos dá uma noção mais clara - é factível – da transformação que a escassez de àgua pode causar é que, se continuarmos usando a os recursos hídricos da forma que usamos hoje em dia, nossa higiene corporal, que é feita através de relaxantes e, muitas vezes, demorados banhos, vai ser substituída por asseios com papéis úmidos; alguma coisa que me faz lembrar do hábito que os gatos têm de se lamber.

Sinceramente não consigo ver nenhum tipo de prazer nesse novo - e provável - costume do futuro.

Mas não é preciso abstrair tanto para "topar" com as conseqüências atuais do mau uso que fazemos da água do nosso planeta.

Em Natal, aproximadamente 50% dos reservatórios que abastecem a cidade, estão contaminados por nitrato. Substância cuja ingestão em grandes quantidades, e/ou o contato prolongado, são sinônimos de CÂNCER.

A Terra já disparou a sirene de alerta. Precisamos parar para escutá-la. A concretização - ou não - desse futuro apocalíptico é responsabilidade do homem; de mais ninguém.

Está na hora de começarmos - pelo menos começarmos - a tratar a gestão dos recursos hídricos da Terra como uma questão política. Mais que isso: uma questão de sobrevivência.

Uma sugestão é que a partir de agora a água ganhe o título de patrimônio da humanidade. Quem sabe assim a gente consiga pensar na sua utilização como uma coisa séria.

http://br.youtube.com/watch?v=5humo0Xk-V0

domingo, 16 de março de 2008

Estréia

Apesar de minhas afinidades com a cultura baiana e similares, não estou em clima de carnaval. A priori, este espaço nasce com a missão de evitar minha explosão (ou implosão).

É também um lugar onde eu posso (e devo) exercitar a tarefa de escrever, que é fundamental na profissão que escolhi para mim: comunicador.

No mais vou falando de tudo que me chama atenção; de uma maneira boa ou ruim, tanto faz. Tudo para não ficar louco.