quarta-feira, 26 de março de 2008

O (re)encontro com Amélia

Recentemente uma “notícia” me fez entender o sentido exato de uma frase que jornalistas em formação – como eu – escutam a exaustão em tempos de universidade.

“Quando uma história é boa, ela é boa independentemente da época em que tenha acontecido ou período em que tenha sido contada. E se foi contada bem, em mais tempo ou menos tempo, vem à tona novamente”.

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Nos primeiros anos de faculdade, minha turma foi desafiada por um professor (que entendia como poucos o espírito competitivo da juventude) a produzir uma reportagem sobre a Intentona Comunista – uma espécie de revolução ocorrida no início do século passado, que por meio de uma insurreição armada, tomou o poder oficial de Natal e instituiu um governo extraordinário de dois dias na capital potiguar. O melhor texto seria publicado em um dos jornais mais tradicionais do estado.

Em meio às pesquisas sobre o assunto, eu e meu grupo “demos de cara” com Amélia Gomes Reginaldo.

Amélia
Mulher, nordestina, filha de mãe e pai comunistas, Amélia teve participação ativa no levante. Foi uma de suas líderes, chegando a tomar parte do conflito armado.

Mas não saiu vitoriosa dessa aventura. Pelo contrário, pagou caro por sua escolha. Após a deposição do governo provisório, foi presa, perseguida, e teve que fugir do Rio Grande do Norte. Foi embora com pouco mais do que a roupa do corpo e a esperança de um futuro e um país melhor.

Pior; por pouco não foi esquecida. Até hoje Amélia Reginaldo não aparece nos livros de História. Teve que ser resgatada, através das cartas que mandava para família, por outras mulheres como Brasília Carlos e Aluísia, ambas professoras, e esta última, portadora da “notícia” a qual eu me referi no primeiro parágrafo do texto.

Amélia, uma revolucionária de verdade foi nossa história – nossa boa história. Com ela vencemos o concurso e tivemos nossos nomes publicados pela primeira vez em um jornal. Isso já fazem dois anos.

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Mas o sentido desse texto não é falar sobre meu encontro com Amélia, mas sim do reencontro.

Eis que estava no ônibus quando Aluísia me avista. Me conta, com entusiasmo, que, recentemente, havia participado de um evento em comemoração ao Dia das Mulheres promovido pela Prefeitura de Natal na qual uma das homenageadas tinha sido Amélia.

A neta veio receber a condecoração (atrasada) pela importância da avó quase esquecida. Assim como o resto da família ela já conhecia a história, mas contou que ficou sabendo que a mídia do RN também conhecia o passado de sua avó por causa de uma matéria de jornal. Nossa matéria de jornal.

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Ou seja:

“Quando uma história é boa, ela é boa independentemente da época em que tenha acontecido ou período em que tenha sido contada. E se foi contada bem, em mais tempo ou menos tempo, vem à tona novamente”.

7 comentários:

Anônimo disse...

Fazendo história heim!
Me mata de orgulho!

;*

Anônimo disse...

Me emocionou ! =')

Anônimo disse...

nunca tinha me contado essa historia...

Unknown disse...
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Anônimo disse...

teste

Anônimo disse...

O texto foi muito bem escrito e é bom saber que teve um grande repercursão a ponto do personagem tomar conhecimento. Agora o mundo precisa saber que foi Vitor que escreveu. Parabéns. Glace Pimentel

Anônimo disse...

Vitão,meu amado! sou sua fã e vc sabe disse, eu acredito no seu potencial e sei que vc pode chegar muito longe, pq vc é inteligente, criativo, sensível e tem uma qualidade que poucos profissionais tem, humildade. Você vai crescer profissionalmente, pq Deus te ama e é com você todos os dias da sua vida, Ele dirige os seus passos e vc já é um vencedor e vai sim chegar lá, aliás, sua carreira já começou desde o dia em que vc pisou no palco da UFRN. E mais, vc tem tudo pra ser escritor, e até compositor, rsrs, como eu, rsrs, potencial pra isso vc tem e muito. è viciado em leitura, aos 10 anos de idade já tinha lido quase 100 livros de estórias infantis, que capacidade esse menino tem e que cultura! imagine quantos já leu aos 22 aninhosm tem conhecimento sobrando, tem pano pra manga sim! Estou orando a Deus por vc, não se surpreenda com as coisas de Deus porque Ele é Fiel.Acredite em você!