Um desses motivos de orgulho atende pelo nome de Mariene de Castro.
Negra, baiana, de família humilde, Mariene de Castro descobriu-se cantora ainda na infância. "Na minha família todo mundo tocava algum instrumento ou cantava" explica ela. Por isso aos 12 anos foi estudar música.
Profissionalmente, começou a vida artistíca, como uma boa parte dos artistas baianos da "nova geração", em cima de trios elétricos, fazendo vocais de apoio para Timbalada, Márcia Freire, Carlinhos Brown. Mas logo sua voz iria alçar vôos mais altos e mais bonitos.
Descoberta por produtores franceses (provando que infelizmente, em Terra de Papagaios, santo de casa não faz milagre sozinho) Mariene foi dar uma de canarinho no estrangeiro.
De volta ao Brasil consegue gravar, em 2005, o belíssimo disco "Abre Caminho".
No disco, com propriedade de mestra, Mariene extraí o que há de melhor da cultura negra brasileira, sem apelar para as fórmulas pré-estabelecidas pela indústria.
Assim ela empresta sua malemolencia e potência vocal à gêneros como coco, samba de roda e outros ritmos do folclore nordestino, além de fazer regravações (ou seriam melhoras?) em canções já conhecidas do público brasileiro como Planeta Água.
Mariene, e seu Abre Caminho, é a prova de que é possível respeitar e ser influênciado por aspectos musicais da nossa cultura que a indústria fonográfica chama, maldosamente, de folclóricos, de uma forma contemporânea e acessível.
Ave Mariene!
* A música no Player é um Pout-pourri com as canções Vem para Minha Aldeia e Lenço Branco.

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