segunda-feira, 19 de maio de 2008

“Descreves tua aldeia e serás universal” - Tolstoí

Alguns aspectos da cultura social do RN me deixam injuriado. Uma deles é a mania de estrangeirismo do nosso povo. A lógica estabelecida é de que “tudo que é de fora é melhor” e “tudo que se fez aqui é menor”.

Isso ta errado!

ANNA FERNANDEZ
Semana passada, tive o prazer de conhecer uma cantora/compositora – compositora/cantora (acho a inversão dessa oredem faz a maior diferença) - potiguar que há mais de dez anos saiu do estado para tentar a sorte em palcos paulistas; o nome dela é Anna Fernandez (se pronuncia Fernandêz).

Nosso papo foi ótimo. Sentada aqui na sala da minha casa, Anna me contou um pouco sobre sua a história musical – que não é pequena - e suas experiências como artista potiguar/nordestina em São Paulo.

DESCOBERTAS
São mais de 15 anos de batalha e vitórias importantes. Anna, que eu conheci através da minha tia (maior freqüentadora e incentivadora desse blog), é a única artista potiguar, que eu conheço, com um prêmio Sharp - uma espécie de Grammy brasileiro dos anos 90 -. Teve composições gravadas por artistas consagrados como Elymar Santos, Roberta Miranda, Elba Ramalho e Caju e Castanha (dupla de repentistas muito conhecida lá pelas bandas do sul) e atualmente trabalha em um cd de inéditas para ser lançado no Japão.

Em suma: uma mulher arretada!

LAR X OPORTNIDADES
Apesar de considerar Anna uma vencedora em sua trajetória musical, uma coisa na sua história me entristece. Muita gente daqui – inclusive eu, até dois meses atrás - desconhece seu trabalho. Pior, sequer tem acesso a ele. As lojas não vendem os discos, a maioria das rádios não toca as músicas, o espaço para divulgação e realização de shows é restrito e a lista de “contras” continua quase que infindável.

Essa barreira entre arte e público não acontece só com Anna. É assim também com artistas e grupos talentosíssimos como Khrystal, Valéria Oliveira, Simona Talma, Perfume de Gardênia, Lane Cardoso entre outros, só para citar alguns nomes dessa geração mais nova.

Como fazer sucesso em outras aldeias se o povo da sua própria, que compartilha das mesmas referências culturais que você, não se interessa pelo seu trabalho?

Por essas e outras que eu entendo a decisão de Anna e outros artistas potiguares que escolheram fazem carreira fora do RN.

É uma pena. No fim das contas quem perde somos nós.

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Escute uma canção de Anna e tire suas próprias conclusões

10 comentários:

Anônimo disse...

eu mesma não conhecia o trabalho dela.e isso acontece em relação a muitos artista daqui..já tá repetitivo dizer que isso é um absurdo..más é!quanto a deixar natal e se aventurar por aí..não sei se isso é bom..por enquanto pra mim,não é.por enquanto estou alcançando todos os meus objetivos com meu trabalho.morando em natal,construindo base..pra sair legal..com condições de atingir mais pessoas da melhor maneira possível.

desejo sorte para a Frenadez!!
beijo vitor

khrystal

Eduardo Cabral disse...

rapaz, uma coisa é dar oportunidades a artistas da terra, buscar conhecer gente que se apresenta por aqui...outra coisa é conhecer um artista que nasceu aqui e foi tentar a sorte em outro canto.

nem combina com o "estrangeirismo" citado, afinal de contas, como a gente poderia conhecer uma artista que saiu de Natal, pra ser underground em São Paulo...e sei lá, teve seu auge nos anos 90, onde a internet nem era difundida...como se dá uma oportunidade a uma artista dessa?

eu acredito em música sem barreiras, não precisa ser de fora pra ser bom, o que não significa que por ser daqui, seja bom.

em tempo, eu gosto muito da idéia de criar laços aqui, é "instigante" pra cena local, ver artistas crescendo, ganhando o reconhecimento devido.


Duda

Anônimo disse...

Vitão!!! nós sempre vamos ouvir muito isso; NUNCA OUVI FALAR NELA OU NELE, isso já faz parte do nosso dia a dia, mas o que está em evidência aqui é o trabalho de uma grande compositora e tão talentosa cantora, posso falar assim, pois sempre conheci o talento de Anna Ferndandez e desde que a conheci a mais de vinte anos, já era admiradora do seu talento, pois tem uma voz muito doce e suave,quando canta tem um sorriso nos lábios e um brilho todo especial, que poucos tem. Ela teve a grande oportunidade de sair da nossa terra natal e se estabelecer lá fora, coisa que poucos conseguem, e isso é louvável, pois ela venceu! e ainda tem muitos caminhos pra trilhar. Tem mais de mil composições, é um dom que Deus deu para ela. Em São Paulo se ouve muito a música dela(está para sair o novo DVD de Elba que tem uma composição dela, e Alice Maciel,ex vocalista da Banda Feras, cantora gospel gravou um novo cd que tem uma composição de Anna,inclusive já vendeu mais de 20 mil cópias, aos que gostam de música gospel este cd já está nas lojas).Os grandes artistas saem da mídia, e muitas vezes tem que rebolar para voltar, fazer o quê? continuar tentando, eu creio. Muitoss grandes artistas, como Elba Ramalho, Zé Ramalho, Caetano, Gil, Chico Cézar, entre muitos outros tiveram que sair do seu lar e terra, pra tentar vida lá fora, e venceram e continuam vencendo. É isso, uns vão outros ficam, e existe terra pra todo mundo, basta ser bom e ter talento que Deus ajuda. Parabéns a Anna Fernandez que saiu e aos que ficaram parabéns também.

Glace Pimentel

Anônimo disse...

Ah pessoal, faltou comentar que Anna Fernandez vem de uma família de músicos, onde se destaca musicamente Fábio Fernandez, irmão e pareceiro de Anna na música. Músico bem conceituado nos palcos da nossa terra, toca com Lucinha Lira e além de todas essas qualidades ainda é produtor. Recentemente produziu um cd intitulado "Mulheres Potiguares cantam a música de Fábio Fernandez", onde convidou várias cantoras potiguares para participarem deste trabalho como: Anna Fernandez, Valéria Oliveira, Terezinha de Jesus, Lane Cardoso, Glorinha Oliveira, entre outras. O cd está de excelente qualidade e vocês podem adquiri-lo na lojas da cidade. Vamos nos tornar mais participativos da nossa cultura valorizando o que é nosso, nos informando mais e comprando também, tudo isso faz parte de uma cultura de qualidade. Fiquem com Deus e em Paz.

Glace Pimentel

Anônimo disse...

corrigindo: quiz dizer parceiro no comentário lá em cima.

Glace Pimentel

Denise Barcelos disse...

Mais uma que faz sucesso em qlqr lugar do mundo menos aqui neh... Infelizmnte, isso é a coisa mais comum... Por exemplo, eu q curto muscia eletronica, há varios djs q fazm sucesso fora e ngm aqui sabe q eles existem. Acho q deveriamos valorizar um pouco mais o que vm daki msm e menos o q a midia nos impõe...
Beijos


PS: Confesso, q tb assisti aquele xow q tu me disse do msm jeito q tu! huahauahua

beijos

Bernardo Luiz disse...

Eu nçao conhecia
Mas agora escutarei.

Abs.

Anônimo disse...

Oi!!! Bom saber que as pessoas estão frequentando e lendo as reportagens de Vitor e ficando cada vez mais informadas de todos os assuntos, inclusive cultura que é tão pouco divulgado em nossa terrra. Mas, o mais interessante de tudo é que neste blog está se tendo a oportunidade de se adquirir mais conhecimento, inclusive na música que é um dos assuntos preferidos de Vitor, de se conhecer a " a prata da casa". Já que " eles " não fazem, façamos nós que temos a visão cultural e gostamos de participar dela. Pessoal!!! divulguem este blog e nossa música e nossos artistas,mesmo o que estão tentando a vida lá fora,temos que valorizar a nossa mãos de obra, com isso já estamos contribuindo para o crescimento, mesmo que seja parcial, do tão sonhado crescimento musical aqui em Natal, e com assim nós acabamos ganhando. Eu creio. Fiquem com Deus.
Glace Pimentel

Víctor Varela disse...

Vitor, meu amigo, o trabalho da Anna é muito bom, mesmo! Eu já tenho a forte impressão de tê-la ouvido-visto em algum lugar! Quanto ao estrangeirismo do povo potiguar, é uma característica infeliz de uma franja larga da nossa sociedade que ainda preserva uma mente de colonizados! Fico triste por isso... Resta-nos, então, ser conta-hegemômicos e divulgar, como você fez, o que de bom passamos a conhecemos!
Víctor Varela

Rafael! disse...

Oba, também quer ter meu nome publicado como "corretor" de alguma coisa: a concordância, de acordo com a norma culta, é é "descrevE" e não "descrevES".