Recentemente um exemplo que eu usei para ilustrar um dos textos deste blog foi mal recebido por um dos meus leitores (que bom que eu tenho leitores!!!)Eu falava de mistura musical e citei Luis Caldas.
Segundo meu leitor “Luiz Caldas, Rei do Axé, não é sinônimo de qualidade (...) É a mania de Axé de alguns brasileiros. A mídia condiciona a isto. ”
Essa história de “mania de axé” e "mídia condiciona" me incomodou muito - como um fiapo de manga preso entre os dentes.
Eu gosto de axé, sim. E não é (só) por causa da mídia.
LUIS CALDAS
Por causa da bendita frase fui atrás de saber um pouco mais sobre Luis Caldas e descobri que sua arte não é das piores.
(*)Seu último disco é MELOSOFIA onde ele homenageia vários pensadores da humanidade.
Mais...
Ele sobrevive artisticamente dos restos mortais do fricote (ritmo do pega ela aí, pega ela aí / pra que ?/ pra passar batom / que cor ? / violeta / na boca e na bochecha), e das sobras da industria do carnaval, dominada por artistas com mais dinheiro e espaço na mídia.
Ele sobrevive artisticamente dos restos mortais do fricote (ritmo do pega ela aí, pega ela aí / pra que ?/ pra passar batom / que cor ? / violeta / na boca e na bochecha), e das sobras da industria do carnaval, dominada por artistas com mais dinheiro e espaço na mídia.
É reconhecidamente um grande instrumentista, e, em seu último show aqui na minha cidade, me impressionou por sua versatilidade musical.
Mas esqueçamos Luis Caldas. Não é dele que eu vim falar.
Quem está na berlinda é o axé!!!
AXÉ DE COISAS BOAS E COISAS RUINS
Assim como qualquer outro gênero musical o axé tem coisas boas e coisas ruins. O grande problema desse estilo é que, por causa de sua vocação indiscutível para alegria, ele foi, mais do que qualquer outro, associado à indústria do entretenimento e carnaval.
Assim como qualquer outro gênero musical o axé tem coisas boas e coisas ruins. O grande problema desse estilo é que, por causa de sua vocação indiscutível para alegria, ele foi, mais do que qualquer outro, associado à indústria do entretenimento e carnaval.
Resultado: Quando se paga por um show de axé, compra-se também o “divertimento fácil” – e a reputação/comportamento da maioria dos consumidores desse tipo de produto.
No fundo as pessoas pagam só para “se divertir”, não para escutar a música – e (também) se divertir.
Esse tipo de "negócio" empobrece a expressão artística, mas em sí ela não é pobre. Pelo contrário, ela bebe de uma fonte cultural rica e maravilhosa, que é a cultura negra brasileira; em especial a cultura negra da Bahia.
LETRA A SERVIÇO DO RITMO
Contudo o ritmo não me parece ser o maior problema na compreensão do axé, mas sim as letras.
Contudo o ritmo não me parece ser o maior problema na compreensão do axé, mas sim as letras.
Diferente de outros gêneros musicais as letras de axé são concebidas quase que exclusivamente em função do ritmo. Eu diria que as palavras “cantam junto” com os tambores.
Nesse processo o sentido dos textos é deixado de lado. O que predomina é a sua relação com a música (sintaxe). Por isso nada parece ter lógica. Vira um tal de “dandalunda” para cá, “maimbê” para lá, mel rimando com rapunzel para acolá, e assim vai.
Um exemplo típico desse tipo de síntese são as composições de Carlinhos Brow.
- Curioso é que quando isso é levado para MPB (os Tribalistas fizeram isso muito bem) todo mundo acha a coisa mais inovadora do mundo e bate palma entusiasmadamente -
NO FIM DAS CONTAS
Resumindo; assim como a maioria das coisas na vida, o axé não pode ser avaliado a partir dos critérios do bom ou do ruim. Esse é um tipo de pensamento simplista, reducionista e incompatível com qualquer pessoa mais sensata.
Resumindo; assim como a maioria das coisas na vida, o axé não pode ser avaliado a partir dos critérios do bom ou do ruim. Esse é um tipo de pensamento simplista, reducionista e incompatível com qualquer pessoa mais sensata.
É direito de quem quer que seja gostar ou não gostar do estilo. Mas entendê-lo como um tipo de música menor não é justo.
Para quem quer conhecer mais sobre o axé sobre o qual estou falando e considero a maior representação musical de uma expressão cultural recomendo ouvir as músicas de compositores como Jorge Zarath, Jauperi, Carlinhos Bronw, Alain Tavares e Gerônimo.
Uma olhada em algum DVDs de Daniela Mercury também resolve o problema!
E muito axé, para quem quiser!
-- x --
E mais fácil entender,
quando se pode ver
(*) A informação foi corrigida pelo produtor Cultural José Dias

18 comentários:
Resumindo; assim como a maioria das coisas na vida, o axé não pode ser avaliado a partir dos critérios do bom ou do ruim. Esse é um tipo de pensamento simplista, reducionista e incompatível com qualquer pessoa mais sensata.
O preconceito musical é existente em todos os ritímos.
Parece que a alegria nas músicas tiram a valorização da mesma. Não aguento o discurso que toda letra tem que ser "política" ou que não existe "música" de qualidade nos tempos atuais.
Gosto de música. Não importa a vertente, basta ela me seduzir, me encantar através da melodia ou até pelo poder cênico que ela possibilita.
Bem, como sei q meus comentários nõ estão à altura dos textos do flog ou dos outros comentários, so me resta dizer:
"Viva o Axé, então!"
P.S.: Gostei dos 2 posts!
Pois eu só quero axé se não for a música - hahahahahaha
Mas, seu texto está cada vez melhor. Esteve assim com o post anterior - que eu não comentei porque todo mundo que me conhece sabe o que eu penso de Khrystal e do seu show! -, está assim nesse.
Muito bem escrito, bem pontuado e com argumentos muito fortes e bem escolhidos e bem organizados prá demonstrar o que pensa.
Não perca o ritmo (que tirada, hein? - kkkkkkkkkkkkkkk).
Vitão meu critico de música preferido, amei esse seu último comentário " em defesa do Axé ", admiro muito o que vc escreve pq vc não necessita imitar ninguém para escrever, a sua cultura vem de dentro, não é copiada , é adquirida. A mídia esquece de artistas como Luiz Caldas e tantos outros,como até Chico César, pois outro dia conversando com uma pessoa do Rio de Janeiro mencionei Chico César, vc acredita que ela demorou para dizer que conhecia esse tão grande artista, sabe pq? a mídia que só revela aquilo que quer. Posso falar de Luiz Caldas! sabe porquê? Em 1986,estive em Salvadar durante o carnaval e fiquei por lá uns 20 dias, o que se cantava em Salvador durante o carnaval, nas rádios, televisão, era a música dancante de Luiz Caldas, e foi através da sua música que o nordeste e o restante do país conheceu o Axé e a música baiana que até então não se ouvia em lugar nenhum. Nessa época só se ouvia falar em Luiz Caldas e na música dele, em seu ritmo. Foi através dele que artistas como Daniela Mercury e tantos outros vieram e fizeram sucesso. Infelizmente a cultura brasileira ainda contiunua sendo gerada através de "modismos", mas isso fica para os que não sabem ler e não tem a capacidade de conhecer e estudar a essência da música como vc. Acedito eu, que vc com sua sensibilidade, inteligência que vc tem sobre a música vai conseguir ser melhor do que "TARIK DE SOUZA" rsrsrs. Dependendo das minhas orações vc vai alcançar sucesso e ser uma benção, aliás vc já é uma benção de Deus" . Te amo e fique em Paz. Glace Pomentel
Acho que qm se limita e não procura avaliar o todo, acaba se tornando uma pessoa limitada. Todo genero musical tem seu lado bom ou ruim. Que levante a primeira pedra qm nunca gostou de pelo menos uma musica de axé. Acho que o axé é cultura que representa as nossas raízes.
Muito bom vc tr levantado esse assunto!!!
Beijos
Meu prezado vitor. Em primeiro lugar o seu leitor tem nome e o meu é Zé Dias. Quanto a Luiz Caldas, o acho bom instrumentista e importante para o carnaval da Bahia. Continuo a não achar o mesmo, referência para uma discussão sobre música séria no Brasil. Se voce acha a carnavalização da música da Bahia, todos os dias, bom para o Brasil, o problema é seu e de seus idolos e fãs. Minha luta é outra. No Carnaval, os 04 dias, viva o Axe. O Ano todo é dose para leão de circo de interior. Para melhor informação, o último disco de Luiz Caldas é MELOSOFIA em que ele homenageia vários pensadores da humanidade feito em parceria com Cesar Rasec.
boa Sorte
Zé Dias
O que seria "sinônimo de qualidade"?
Essa qualificação não seria algo pessoal? Baseado em que, se não no próprio gosto musical, ou em reproduções de críticas divulgadas em mídias, alguem aponta o que é ou não sinônimo de qualidade?
Pois bem..não faço esses questionamentos só porq vou entrar em defesa do texto de Vitor, mas porq muitas vzs esse selo de "qualidade", essa qualificação de q isso é bom e isso é ruim, me incomoda.
Particularmente, aprendi a gostar do ritmo dsde cedo, ñ por influência d ninguém, mas letras como "Já pintou o verão,calor no coração, a festa vai começar,
Salvador se agita
Numa só alegria
Eternos Dodô e Osmar", me despertavam a atenção, simplesmente pela alegriam q passavam..independente ou não de ser carnaval, ou d estar na Bahia.A Banda Mel com suas letras q misturavam a alegria do povo baiano, ñ só no carnaval, mas também a história de seu povo, com suas origens, na África, passando também pelas tribos de índios brasileiras, me despertaram a atenção no começo da década de 90, msmo sendo muito novo.Em Seguida Daniela Mercury veio de vez espalhar o axé pelo país, dando continuidade ao trabalho do Luís Caldas, mesmo sendo trabalhos distintos dentro do mesmo ritmo.
"O negro não desiste ele só persiste em sobreviver
Pela sua história em sua memória o que lhe faz crescer
Ilê ayê define toda sua crença a nos motivar..."
"Declara a nação,
Pelourinho contra a prostituição
Faz protesto
Manifestação
E lá vou eu"
"Que brilho é esse, negro me diz se é o da paz
Me diz se é do amor, me diz que eu quero saber.."
"Com sutileza cantando e encantando a nação
Batendo bem forte cada coração
Fazendo subir a minha adrenalina.."
Eu poderia aqui postar outros vários trechos desse ritmo q tanto gosto,com letras interessantes(pra mim), como também poderia postar tantos outros que (pra mim), como pra muita gnte não têm sentido algum e são "idiotas", como muito se vê hje tanto no axé qnto em outros ritmos..mas essa é uma opnião pessoal e o texto foi apenas para aproveitar a oportunidade de tentar expressar esse incômodo q tenho referente a esse preconceito musical por parte de muitos..valeu pelo texto, Vitor...parabéns..
Ih... eu sou preconceituoso com música, sim... sou com outras coisas, também (todos nós o somos e, quantas vezes, levamos bofetadas por isso). Estou, agora, gostando bastante de uma banda que, para alguns- Vítor, inclusive -, é de Axé. Eu não concordo que seja. Mas, talvez seja por culpa do meu preconceito... ah... mas, falando a verdade, eu não tenho medo desse, não. Afinal, ele é inofensivo. Mas, continuando as leituras, cheguei à duas observações que achei que deveria colocar aqui:
1) eu fiquei com medo do disco de Luiz Caldas em homenagem aos pensadores! O que terá saído daí? Acho que vou até atrás...
2) Tia Glace escreve bem, viu? Já não é a primeira vez que eu noto isso!
Continuo vindo aqui sempre... um dia, em troca, Vítor vai ser meu editor - hahahahahaha
Eu queria ser uma abelha pra pousar na tua flooorrr...haja amor, haja amorrrr...aaaaaahhhh, bom d+...nada melhor do q pular, cantar muitas daquelas músicas sem propósito algum...e com propósito tmb..qual o problema?? porque ñ posso dividir o axé com Chico Buarque, Caetano,Gal, Betânia(baianos e admiradores do axé),Vanessa da mata, a espetacular Roberta Sá, Maria Rita..tntos brasileiros..preconceito besta..cad um se diverte com o q gosta..qm é vc pra apontar o q presta e o q não....e bem lembrado...salve a saudosa BaMdamel.....vou dar a volta no mundo eu vooouu, vou ver o mundo giraaaaarrr mas eu só saio daqui qndo o coral negro passar....bom dmááááásssss...
Muito Bom, Vitão. Abraço!
Vitão!!! continuo dizendo que vc é bom em tudo que faz, é uma benão de Deus. Até rebater uma crítica vc faz com doçura e inteligência emocional, e isso é muito lindo, vc é como poucos... adepto ao "no grosseria". Agora, sou sua fã sim!!! pq sou fã de poucos, agora ídolo vc sabe que só sou de Jesus Cristo, que morreu na cruz por mim, por vc e por todo mundo, basta que queriam. Beijos. Te admiro demaisssssssssssss.
Glace Pimentel (amiga e incentivadora e Vitor)
vitão é paww!
Cultura é questão de pele, identificação, e a música se inclui dentro deste contexto, portanto vamos encarar cada um seus próprios gostos com decência, simplicidade e qualidade e muita educação. Vitor, parabéns pelo seu trabalho aqui, é de muita qualidade. Beijos. Siga sempre em frente, olhado pra Jesus que é o autor e consumador da fé. Beijos.
Glace Pimentel
Bombando o flog !!!!!!!!
nem me espanto... ;)
nem elogio tbm pq vc sabe que eu gosto de ler o que vc escreve. !
ahh..me passa o novo de lUis caldas pq me encontro ainda no tempo de "na boca e na buchecha".
bessosssss!
Sou preconceituoso como você sabe, mas axé, só no carnatal com abada de grátis.
risos
É aquela famosa frase, tudo tem um lado bom e ruim...
Sou suspeito pra falar do axé, tendo em vista que venho dos lados da Bahia e tenho o próprio na veia, mas confesso que ainda não consegui sentir nada comparado a quando estou em um show ou quando vejo alguma apresentação de quem realmente representa o Axé como a própria Daniela Mercury que como ela, TÁ PRA NASCER!
Quanto a Luiz Caldas nada a declarar, afinal eu não curto muito, só alguns trabalhos dele e de preferência regravados por outros artistas.
Questão de Gosto!
=P
Bom post!
Aos leitores, artistas, músicos, jornalistas, estudantes,cantores, amigos, pessoas que amam Vitor, em fim a todos que o admiram o que ele faz, faço aqui um convite a todos vcs a apoiarem essa atividade que ele está desenvolvendo, que por sinal diga-se de passagem... muito bom, pois ele apesar de demonstrar ser um grande adulto, ainda é muito jovem, e como todo jovem, está aprendendo e com certeza ainda tem muito que aprender, aliás, todos nós temos muito que aprender com a vida, pois enquanto estivermos vivos, existe aprendizado. Bem, convido tods vcs a incentivarem ele, por que é disso que ele precisa e não de palavras duras e secas, corrigir sim!!! porém com "estímulo e incentivo", pois a biblia diz no livro de Provérbios que a palavra branda alivia o furor. Vamos deixar de melindre, nós que somos "gente grande", qdo recebemos críticas, pessoal!!! "JESUS CRISTO" foi o homem mais criticado e rejeitado do universo e nem por isso ele desistiu da luta, enfretou-a na cruz e venceu por nós e para nós, e continua sendo criticado e rejeitado por muitos e nunca desistiu, nem tão pouco se aborreceu qdo foi alvo de duras críticas, então vamos superar essas "coisitas" e seguir em frente, sem mágoas e ressentimentos.Fiquem todos em Paz
Glace Pimentel
Recentemente, falei do trabalho de Vitor para alguns contatos que tenho , dois deles são presidentes de associação de músico, compositores e arranjadores de São Paulo uma delas é a AMAR/SOMBRAS - SP, Rubens Fakeiti leu o blog de Vitor e fez grandes elegios, ficou muito admirado com o conteúdo. É isso que temos que fazer, nós que somos amigos e pessoas que o amam temos quefazer, ajudá-lo a construir, a crescer, usando nosso conhecimentos de "gente grande", tanto emocional como profissiosnal, se somos capazes disso. Fiquem com Deus. Vi~tao , adoro esse espaço pra escrever, vc sabe disso que escrever é uma das minha paixões, ainda vou me tornar escritora, além de compositora. kkkkkkkkkkk.
Bjs,
Fiquem todos com Deus
Não importa o estilo musical, o que importa é a intenção daquilo que o estilo quer transmitir, se é alegria, diversão, ironia, melancolia, etc. Toda e qualquer arte deve ser respeitada e se ela agrada muita gente e de alguma forma toca o coração ou nos faz sentir um prazer, então vale a pena deixar o som rolar.
Postar um comentário