quinta-feira, 1 de maio de 2008

Mestiços, com orgulho

Outro dia escutei de um cantor, cujo sucesso aconteceu no final da década de 80, início da década de 90, a seguinte frase:"a ordem mundial é misturar". Achei aquilo o máximo. Condensava tudo que eu penso sobre música e o modo como se deve fazer música. Genial!!!

O cantor era Luis Caldas.

O show do cara, para minha surpresa, não foi uma sucessão de "fricotes" (ritmo que deu fama a Luis e que tem como principal hino a música "pega ela aí, pega ela aí / pra que ? / pra passar batom / que cor? / violeta, na boca e na bochecha"), mas uma colcha de sons e ritmos bem costurada e diversa.

O repertório foi de Vivaldi (musica clássica e instrumental) a Gonzagão (forró pé-de-serra genuinamente nordestino) .

Não escutei nenhuma reclamação do público, nem mesmo daqueles que esperavam uma apresentação "mais animada".

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Algo parecido aconteceu ontem (30/04) no show de uma artista da minha terra cujo trabalho e talento são "acima da média". O nome dela é Khrystal (assim mesmo, com K, H, R e Y).

Depois de fazer um belíssimo disco que tem o coco espinha dorsal, e que foi elogiado - e bem aceito - pela crítica local e nacional, Khrystal tenta agora se libertar do rótulo de "cantora de coco" que impuseram a ela.


Para isso ela foi cantar samba!

Devo confessar que essa foi uma saída de mestre.

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Embora tenha nascido como "desabafo" de uma minoria (negra) oprimida e marginalizada, assim como o coco, o samba se fez mais popular; "desceu do morro" e caiu no gosto das massas, tendo sua "síntese original" alterada/influenciada pelos mais diferentes estilos musicais e classes sociais.

Foi dessa mistura que nasceram expressões como o Samba Canção, o Samba Rock, o Samba Soul, o Samba Enredo, o Samba Reggae e por aí vai.

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Para Khrystal, o samba, foi o lugar onde ela podia expressar mais livremente a viceralidade/intensidade que marca seu trabalho.

Só que dessa vez teve gente que não gostou!


E ainda bem que não gostou.

Os artistas, principalmente os que estão "começando agora", de modo geral, têm que valorizar todo e qualquer tipo de reação do público, mesmo as negativas. Elas são a prova de que reparam no seu trabalho. Não gostar faz parte.

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Viva um país que, como o Brasil, tem matéria-prima musical suficiente para suprir as mais diversas e plurais misturas, sem que isso implique em perda de identidade cultural.

A miscigenação é a nossa principal marca, e deveria ser nosso maior orgulho. É ela que nos faz tão diferentes, e tão únicos.

Viva também artistas como Khrystal, que mesmo não sendo unânimes, tem coragem e competência de não apelar para rótulos e imprimirem sua marca pessoal na música sem soarem repetitivos ou vazios.

Viva!!!


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Sobre o show de Khystal,
tirem suas próprias conclusões


8 comentários:

Denise Barcelos disse...

Misturar é a base do nosso país!! Se n fosse tamanha miscigenação não seriamos esse país multi-cultural!!

Bom txt!!!

bjoss

Anônimo disse...

Abriuuuu! kkk...

Bom eu gostei do show!
Por mim teria ficado lá a ir pra aquele outro tipo de mistura.

João Victor Torres disse...

Um dia possa ser q eu mude, mas "hoje" eu n gosto dessa cantora de nome difícil, acho ela pesada!
Mas adorei a articulação do texto.

Anônimo disse...

bonito seu texto;obrigada.
não realizo meu trabalho pra agradar uma MINORIA;realmente não trabalho pra gueto.minha temporada do mês de abril/maio foi um sucesso;eu não poderia esperar o conTrário,logo que escolhi trabalhar o gênero mais brasileiros dos gêneros..achei engraçado vc falar dos que não gostaram por que essas pessoas na minha ótica,de fato,são minoria e minoria nunca levou ninguém a lugar algum.não trabalho pela umanimidade,pois ela é burra!!!(segundo NELSON RODRIGUES),más a resposta do meu público(ÊBA,DESCOBRI QUE TENHO PÚBLICO!!) foi em demasido positiva;pela primeira vez na minha vida profissional lotei uma casa durante quatro semanas inteiras.isso realmente me parece que positivo por demais!!e é nisso que me miro.agora,vou ensaiar,que trabalho é o que não me falta e isso enobrece os humanos!

beijos
khrystal

Anônimo disse...

Seu texto é interessante. Agora merece algumas correções. Luiz Caldas, Rei do Axé não é sinonimo de qualidade para embasar sua escrita. É a mania de Axé de alguns brasileiros. A midia condiciona a isto. Entendo. Guinga, talvez falando sobre Khrystal, fosse de maior credibilidade. Quanto a Khrystal esta começando a carreira, não é verdade. Ela canta a 07 anos e com mais profissionalismo há 04 anos, tendo a coragem de num primeiro trabalho (COISA DE PRETO) ter cantando algo inimaginavel a um potiguar, que era o COCO, tendo recebido elogios de um critico do tamanho de TARIK DE SOUZA do Jornal do Brasil. O Projeto do Samba, contempla o mercedo de Natal, ficando o COCO para o resto do Brasil, como ocorrera 07.05 João pessoa, 08.05 Campina Grande, 28, 29 e 30.05 Salvador e 31.05 Aracaju. Nada fácil, tudo muito dificil. Quando ela canta Jackson do Pandeiro no show do Samba, é a confirmação de que mais brasileira impossivel.

José Dias Jr.
Produtor Cultural.

Bernardo Luiz disse...

Daniela fala sempre que gostaria de ver o mundo sambar.
Cito Daniela porque ela entende perfeitamente a síntese da mistura, do preto no branco e o branco no preto.
E vejo isso em outros grandes artistas: Marisa Monte, Khrystal e por aí vaí... A ordem aqui é misturar.

Anônimo disse...

Vitão!!! A Palavra de Deus diz que Ele corrige aquele que ama. Boa a correção do mestre Zé Dias pra vc, bom que vc aprende mais e mais e vai escrever melhor e melhor. Amei seu texto, muito bem escrito, um jogo de palavras se se completam entre si, tirando os ajustes, claro!!! Nossa terra tem muitos artista bons, e acho interessantíssimo e de grande valor o seu interesse por eles, vc sabe que sou uma grande defensora dos nossos artistas, aqui tem muita gente boa. Que seu blog continue falando positivamente sobre o trabalho de cada um deles. Fique com Deus. Glace Pimentel

Anônimo disse...

resumindo: tá escrevendo bem pra caralho! rsrs

Tô começando a achar que os "pais" estudaram em mesma escola, chatisse da porra! kkkkkkkkkk

abração

Parabéns!