segunda-feira, 16 de junho de 2008

Abre o olho moçada!

Em tempos de pré-campanha eleitoral, tenho amadurecido uma constatação preocupante:

- uma parcela significativa (para não dizer a maioria) dos jovens entre 20 e 25 anos, não tem a mínima noção da importância da política em suas vidas -

Como prova do que digo, proponho um teste: quantas pessoas, com o perfil citado no parágrafo acima, se lembram do voto da última eleição (2006) que elegeu presidente, governador, senador, deputados federais e estaduais? (quantos lembram que tiveram que votar para todos esses cargos?)

Se 50% das pessoas entre 20 e 25 anos que leram esse texto responderem corretamente essa pergunta, eu tô satisfeito.

Não pretendo achar explicações para esse descompromisso, elas existem aos montes; o escândalo do uso indevido dos cartões corporativos pelos Governos Federais, a descoberta de esquemas de tráfico de influência de pessoas ligadas ao governo – leia-se propina - na contratação de serviços de saúde são apenas alguns dos exemplos que aparecem todo dia no jornal.

Mas sou da turma que gosta de agir, não de reclamar.

Se liga, galera!

Pense comigo, se o futuro de uma sociedade que, quando jovem, não leva política a sério já é complicado imagine o futuro de uma sociedade que, quando jovem, faz de conta que a política não existe.

Falar de assuntos como violência, sexo, festas, música, namoros, novelas, birita, celular, filmes é ótimo, mas prestar atenção no que acontece à sua volta e tem conseqüência direta na sua vida é IMPRESCIDÍVEL. (sim; prestar atenção no que acontece a sua volta é sim uma atitude política)

É quase um dever de casa.

Podem dizer que é cafona, piegas, retrógrado e o escambau, mas juro que preferia quando falavam - e a agente acreditava - que os jovens eram o futuro da Brasil; pelo menos havia uma implicação. Hoje em dia, nem isso.

Tenho impressão de que nem essa história de “comprar” comportamentos e modos de agir e pensar, que faz muito sucesso com essa minha turma, rola quando o tema é política. Neste caso o diagnóstico é dormência total.

E ao contrário do que dizem pensar e agir políticamente não é difícil.

Basta prestar atenção em coisas que dizem respeito à coletividade como, por exemplo, a regularidade da coleta de lixo do seu bairro, os gastos dos parlamentares que você elegeu (sim, eles são obrigados a divulgar esses gastos!).

Estar bem informado sobre o mundo ao redor, que não seja o seu particular, já é um bom começo.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Antena Musical - Daniela Mercury

No Antena Musical da semana passada, falei sobre uma das minhas paixões musicais, Elis Regina; no desta semana, vou falar sobre outra: Daniela Mercury.

Daniela Mercuri (o “y” veio depois) de Almeida surgiu no cenário da música brasileira no inicio da década de 90, mais precisamente entre 1992 e 1993.

Misturando ritmos e toadas afrobaianas com coreografias acrobáticas e um conceito de show-espetáculo, foi uma das percussoras de um gênero músical que até hoje “dá muito o que falar”: o axé music.

Até a metade da década de 90, Daniela Mercury fez muito sucesso no Brasil e alguns países da América Latina como Argentina e Chile, vendendo milhões de discos. Em alguns desses países é recorde de público e vendas até hoje. Atualmente, tem uma projeção menor quando comparada a outras cantoras de axé como Ivete Sangalo e Cláudia Leitte.

Mas Daniela Mercury nunca foi unanimidade nem mesmo no auge da popularidade ou dentro do axé, estilo que ajudou a difundir e onde é considerada "rainha".

EXPLICAÇÕES/MOTIVOS
- Quem gosta de axé e não gosta de Daniela costuma dizer que seu trabalho é “cabeça” demais ou arranja motivos pessoais para não gostar dela.

- Quem não gosta nem de um nem de outro, geralmente, taxa Daniela de presunçosa (ou perdida) por causa da quantidade de referências e linguagens estéticas presentes nos seu trabalho; e o axé de medíocre, principalmente, por causa da forte ligação do estilo com o carnaval e a falta de comprometimento com conteúdo semântico e/ou seriedade das letras.

- Quem só gosta de um ou de outro vive tentando separar as duas coisas.

- E quem gosta dos dois, como eu, na maioria das vezes, ganha a pecha de eclético (no mal sentido da palavra) sendo visto como uma pessoa sem critério musical; capaz de gostar de tudo. (Eu considero isso uma virtude. Tem gente que acha falta de personalidade)

Eu compreendo.

A arte de Daniela não se encaixa facilmente em nenhum rótulo. É tudo e é nada; é isso e é aquilo; simultaneamente.

Sua discografia inclui gravações de sambas, ijexás, merengues, rap, bossa-nova, manguebeat, musica eletrônica, clássica, jazz, soul, rock, MPB, R&B, musicas em espanhol, japonês, inglês, canções de Lenine, Chico César, Vanessa da Mata, Herbert Viana, Marcelo Yuca, Vinicius de Morais, Ary Barroso, Jorge Benjor, Roberto Carlos, Carlinhos Brown, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo, Adriana Calcanhoto, composições próprias, etc, etc, etc.

Essa versatilidade faz com que pessoas como eu, que gostam do trabalho Daniela Mercury percam um tempo danado justificando suas escolhas musicais.

Á aqueles que vivem a me pedir explicações ou a me olhar com rabo do olho, proponho um desafio:

1 - Você que não gosta nem de axé e nem de Daniela, tente colocar de lado o pré-conceito e escute essa canção composta por Lenine especialmente para La Mercury. Talvez você entenda o que ela pretende com a Música (assim mesmo com M maiúsculo).

2 - Você que gosta de axé, mas não de Daniela, assita o vídeo e me responda se é possível não sentir minimamento tentado a sair pulando de alegria, como em época ou festa de carnaval.

3 – Você que só gosta de um dos dois, escute a música e veja o vídeo e ao invés de catar diferenças tente achar intercessões.

4 - Aos outros, aproveitem.

Sou De Qualquer Lugar
Lenine



Trio Metal e Rapunzel

sábado, 7 de junho de 2008

Sim, nós (também) podemos

Acabei de assistir pela televisão o pronunciamento de Hillary Clinton desistindo da indicação democrata nas eleições á presidência dos Estados Unidos deste ano.

O vitorioso do round inicial dessa guerra foi o atual senador Barack Obama; um afro-descendente com parentes no oriente médio (e com um Hussein no nome), que será o primeiro candidato negro à presidência dos Estados Unidos indicado por um partido grande; o partido Democrata.

HILLARY CLINTON
Confesso que sempre tive mais simpatia pela candidatura de Hillary.

Gosto da idéia muito mais pelo fato da ex-primeira dama ser uma mulher do que por qualquer outra virtude política que ela tenha.

Achava (e ainda acho) que é hora de uma grande nação mundial experimentar um governo com uma perspectiva política diferente; um governo feminino; sensível, preocupado e comprometido em equilibrar a existência humana com os recursos naturais da Terra, preocupado com o nosso futuro.

Coisa de mulher, coisa de mãe.

BARACK OBAMA
Mas quem ficou com a indicação do partido democrata e vai disputar a presidência dos EUA foi Barack Obama.

Obama é aquilo que se pode chamar de fenômeno político.

Passou, em menos de um ano, de Senador de atuação discreta (mas contundente), á grande articulador político, conquistando apoio de grandes nomes da política americana e mais de 20 milhões de votos em uma prévia eleitoral.

Ainda sim sua melhor qualidade foi ter conseguido levar esperança (e espírito de mudança – quem diria) a uma nação americana desacreditada, frustrada diante de uma administração desastrosa que endividou os cofres públicos e gera uma recessão econômica poucas vezes vista na história daquele país.

Tudo isso sendo negro, num país em que a cor da pele determina muita coisa.

Não consigo lembrar de ter visto os americanos tão engajados como agora. A prova disso é que o número de voluntários e votos nessas prévias eleitorais foi recorde.

INSPIRAÇÃO
Tomara que essa vontade de mudar embale e inspire a política brasileira. Tomara que o povo desse país de bandeira verde e amarela lembre que, sim, nós também podemos.

Podemos fazer um país melhor; um país mais justo; mais desenvolvido; mais honesto, mais, mais e mais.

Matéria prima por aqui não falta.

Veja o vídeo da campanha de Obama
chamado Yes, We Can

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Antena Musical - Olhos Abertos

Todo mundo que me conheçe, pelo menos um poquinho, sabe que uma das minhas paixões musicais responde (ou respondia) pelo nome de Elis Regina de Carvalho Costa.

Nesse Antena musical vou mostrar uma jóia rara (e quase desconhecida) do seu repertório.

Trata-se de uma canção de Zé Rodrix (saiba mais sobre Zé Rodrix) e Guttemberg Guarabira chamada Olhos Abertos, gravada pela "Pimentinha" em 1972 (confira discografia completa de Elis), num dos seus melhores discos.

O grande "lance" de Olhos Abertos é a leveza que a canção apresenta; tão incomum as interpretações de Elis, normalmente muio densas.

Não se trata de uma leveza boba, associada a infertilidade musical, mas sim uma leveza espiritual, madura; parecida com aquela que se sente quando está de bom-humor; de bem com a vida.

Difícil explicar; melhor sentir!!




Olhos Abertos
Zé Rodrix / Guttenberg Guarabyra


Atravessando uma ponte de noite, no meio da chuva
Cercada pelo silêncio daquela cidade do interior
Depois da ponte uma estrada de terra, molhada pela chuva
Cercada pelo silêncio e sem nenhum pedaço de amor

Vendo os olhares desertos de tantas pessoas antigas
Tantas pessoas amigas querendo um cigarro e um carinho
Gente que puxa uma briga na estrada, com os olhos brilhando
Precisa só de um abraço, bem forte e bem dado

E eu quero encontrar as pessoas
De mãos e olhos abertos
Sem me preocupar com dinheiro e posição

Eu preciso encontrar as pessoas
Ficar de mãos dadas com elas
Conversar com a boca e os olhos do coração

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Do lado de lá...

Não sou fã desse discurso que junta vida e futuro com predestinação e/ou destino. Gosto de pensar no dia-a-dia (e mesmo no amanhã) como algo sólido, palpável. Besteira. Tudo apenas uma maneira de me sentir melhor; de levar a vida de uma forma mais agradável.

O OUTRO LADO DA MOEDA
Ironicamente, logo depois de escrever um texto contando a saga feliz de um amor entre dois velhinhos, que resolvem assumir um romance já nos idos da vida, mas que tem a morte como um dos personagem principais (leia o texto na íntegra), fiquei tête-à-tête com a outro lado da história; pude ver de perto a morte como sinônimo de tristeza. Fui ao velório do avô de um amigo.

Antes de qualquer coisa, minha presença naquele momento, mais que um gesto de intimidade com o morto, foi um gesto de solidariedade ao meu amigo.

- Sei a importância de ser apoiado quando as pernas tremem e o espírito vacila.

MORTE E PERDA
De todas as formas possíveis, encarar a morte é encarar uma perda. Mesmo quando se tem motivos para desejá-la, alguma coisa de humanidade se perde no processo. Quando existe afeto, a coisa ainda é pior.

- Será que existe alguma maneira sutil enterrar alguém? Será que é possível estar feliz quando a memória nos faz reféns de boas lembranças ?

Não sei responder. Nunca vivi isso. E só presenciei algo parecido quando muito novo. Mas não era gente ainda. Era criança, e criança, principalmente quando muito nova, é quase anjo, e anjo não teme a morte. Anjo é imortal.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Antena Musical - Conversa de Botas Batidas

Tem coisa melhor do que envelhecer com amor?

Conversa de Botas Batidas, é uma das melhores canções do disco Ventura (2003) dos Los Hermanos. O autor da letra é Marcelo Camelo.

O texto é baseado em uma história real. A historia de um casal que se reencontra na velhice, decidindo assumir uma paixão juvenil.

Com medo de serem julgados, eles começam a se encontrar, às escondidas, num hotel.

Certo dia esse hotel, começa a desabar. Antes do desastre, um dos funcionários do hotel tenta salvar dos dois, batendo na porta do quarto, mas eles não abrem.

Não se sabe se eles estavam dormindo ou se preferiram morrer, ali, juntos, sem ter que esconder mais de ninguém aquele amor.

Marcelo (inteligentemente) preferiu a segunda versão. Fez uma canção simulando uma conversa entre os dois antes do momento final. O engraçado é que a música não fala de mágoa nem de rancor. A morte não soa pesada. Pelo contrário ela é cenário para atuação do artista principal: o amor.

O resultado é esse aí!


Conversa De Botas Batidas
Marcelo Camelo

- Veja você onde é que o barco foi desaguar
- a gente só queria o amor...
- Deus parece às vezes se esquecer
- ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
que a gente vai passar
- Veja você, onde é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder...
- E se amar, se amar até o fim
- sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar

Abre a janela agora, deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
e agora está de bem

Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas
não ter o seu lugar

Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além. Vão dizer
que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela
vai cair




sexta-feira, 23 de maio de 2008

Natal: Uma montanha russa apontando para o futuro

Se eu pudesse escolher uma imagem para ilustrar o atual momento da política do Rio Grande do Norte, em especial a de Natal, essa imagem seria uma Montanha Russa.

Nunca, em sua história recente, os potiguares viram uma pré-temporada eleitoral tão animada.

O ano ainda nem chegou na metade e o noticiário político da cidade já foi tomado por manchetes anunciando alianças políticas improváveis, ex-inimigos juntos em prol de uma candidatura de terceiros, acordos locais costurados em outros estados, picos de pressão, etc, etc, etc.

No entanto esse sobe e desce de emoções (e interesses) esconde um perigo real. O perigo de que a discussão sobre o crescimento sustentável da capital potiguar fique em segundo plano.

PROBLEMAS REAIS X DISCUSSÃO PRAGMÁTICA
Natal vive um momento cautelar. A cidade, que até pouquíssimo tempo se gabava da qualidade e estilo de vida de seus habitantes, nos últimos anos, por causa do desenvolvimento de seu potencial urbano, começa a sofrer os problemas das grandes metrópoles brasileiras.

O trânsito está um caos, o abastecimento de água potável está comprometido, o meio ambiente e o ar estão em risco, os depósitos públicos de lixo estão operando perto da capacidade máxima, só para citar alguns dos itens da lista de problemas que ainda engloba questões relativas a segurança pública, saúde, educação e moradia.

O mais grave: a tendência é piorar.

Se esses assuntos não forem tratados agora (e de forma séria), nós, natalenses, corremos o risco de, muito em breve, vivermos - para parafrasear meu colega blogueiro Marcelo Tas (visite o blog de Marcelo) - em um “gigantesco monstro devorador de gente e tempo”.

CRESCIMENTO URBANO X QUALIDADE DE VIDA
Não é impossível crescer e manter a qualidade de vida. Taí Paris, Londres, Amsterdã, e - mais por aqui por perto -, Curitiba e Florianópolis, que não me deixam mentir. Mas isso exige planejamento e comprometimento público.

Nosso Edis têm que saber disso!

Mais ainda. Essa tem que ser a tônica da discussão eleitoral deste ano, sob a pena de perdemos o que Natal têm de melhor; a certeza de que vivemos em uma cidade onde notícias como a morte de uma menina de seis anos atirada pela janela, a queda de um avião de passageiros no perímetro urbano e engarrafamentos de centenas de quilômetros sejam coisas que acontecem bem longe da nossa porta.